Gouche e ouvindo Piaf

12:48 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


Ne me quitte pas...
Não, mon amour, não me deixes mais.
Ainda depois de dizer : Je t´aime.
Depois de me levar ao cinema. De ver comigo o pôr-do-sol, de tomarnos chocolate quente no mesmo copo, acordarmos juntos como mesmo pensamento e vontade.
Depois de me pegar a mão e fazer toda a diferença.- Ne me quitte pas.
Onde tanto amor? Em mim toda a dor.
Sei nada sem você. As músicas me atravessam e não deixam nada em mim.
Sinto como se estivesse à parte e tudo acontecendo ao mesmo tempo.
Não, ne me quitte pas, ouça a chuva. Sinta o nosso cheiro, respire o nosso ar outra vez, prova do meu gosto. Ne me quitte pas.
Não posso ser mais submisso. Mas se pudesse o seria.
Fica, fica ente os lençóis, comigo.
Ainda há muito de você em mim. Não posso tirar vc assim.
...ne me quitte pas.
O teu beijo ainda queima em minha boca, teus braçoes me cercam e me puxam pra bem perto. Meu amor, ne me quitte pas.
Não quero esquecer que je t´aime.
Anda, segura minha mão, me abraça forte e me mostra que eu me enganei, diz que me ama e ne me quitte pas.

12:17 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


Bem, a tarde está maravilhosa. Chove modestamente, como se os pingos tivessem receio de tocar as telhas de minha casa. Estou com uma inspiração imensa para escrever, mas não era nada assim. O que me vinha em mente eram versos maravilhosamente elaborados com uma complexa estrutura de rimas. Não sei o que houve, talvez tenha sido o modo como as nuvens se dispuseram e agora descarregam. Tudo isso fala por mim. Sou um poeta calado agora. E nada do que eu ponha em papel tem mais importância que a chuva.
Como se conversasse comigo, ela me diz o que eu sinto, lê meus pensamentos e me mostra o quanto fica patético quado eu tento quebrar sua importância e que é ela quem embeleza cenas românticas, que só ela pode ser substituída pela música na hora de dormir, ou combinada a ela para deixar a hora de dormir inesquecível.
Resolvi então deixar pra outro dia os meus veros. A concorrência tornou-se desonesta.
Procurei então aliar minhas palavras às dela: O resultado fica visível.
Fica por isso mesmo.
Olhando o céu chover em minha rua, as crianças tomando banho, os românticos em suas camas, os mais sortudos podem estar vendo filmes, os cães abrigados, os gatos escondidos. tudo em seu devido lugar. Fico sem meus versos, mas absorto em pensamentos, longe levado pelos meus devaneios.
Era mais fácil observar o que causava a chuva que tentar expôr minhas causas por palavras ou até mesmo pensamentos.

Caritas.

16:48 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


"Lua de memórias perdidas sobre a negra paisagem nítida de vazio. Debruço-me sobre teu rosto branco nas águas noturnas do meu desassossego e no meu saber que és lua." - Do livro Nossa Senhora do silêncio.

Esse quadro é de um amigo meu. Uma pessoa maravilhosa e sem comentários. Sérgio Matos.

16:44 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


NO mar, onde sou a mim mesmo devolvido em concha, sal e esouma espuma regressado à praia inicial da minha vida.
Espelho d´água te reflete e pareces um milagre criado só para mim.

Hj não sou mais. Sou menos.

18:13 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


HJ estou vazio. Hj não sinto, não rimo, só calo.
Estou propenso a não escrever linha alguma.
Não sei dizer que te amo.
Não busco inspiração para meus versos.
Hj canse-me de mim.
Hj não vivo. Sequei. Correu pelo meu rosto hj o que sobrou de um bom poeta, uma rima sem lógica.
Não sei como dizer o quanto acho belo e me toca as maravilhas do mundo.
Não sei transmitir à ninguém a beleza da vida em forma de linhas e escritos.
Não sei estar apaixonado e escrever sobre. Não sei.
Ah, como queria agora mesmo poder dizer da forma mais profunda o quão feliz, infinitamente, me sinto qndo vejo o mar.
E fazer rimas e estrofes sem fim para alguém ou algo que me encha de luz.
Olhar para o céu, ver a imensidão azul com pontos brancos disformes e escrever o verso mais lindo para teus olhos.
Dizer todos os dias, de maneira diferente, que o amor que te tenho é a mais linda expressão da sinceridade dos meus sentimentos por tí.
Dizer-te publicamente, quem sabe através de um livro, que não há como me sentir mais completo, como qndo estou a te olhar de perto.
Dizer que sinto sua respiração a toda hora. Dizer que também acredito no amor.
Não vejo, porém, motivo para continuar essa fraca tentativa de mostrar-me capaz de escrever algo que leves contigo para todo sempre.
Queria escrever algo que marques com uma rosa na página predileta, e que anos mais tarde, quando a solidão de servir de testemunha, abrirás o livro e encontrará a rosa amassada e minha caligrafia disforme junto a ela.
Queria dizer-te que teus olhos me seguem em sonhos, e qndo acordo, era só o que eu queria ver na verdade.
Que se vens às três, às duas começo a ser feliz.
Algo simples, mas que seja meu, que seja vindo de mim, mas pura e totalmente para você.
Algo em que caiba nossa história, encontros e desencontros, nossos risos, nossos livros, nossos...algo que seja nosso demais, enfim.
Mas não. Eu não sei. Me perdoa.
Não cabe dentro de mim tanta inspiração, hj me falta tudo.
Não sairia de mim com tamanha integridade.
Queria, mas hj não sei.
Talvez pq ,acima de tudo, falta você.

Desejos.

18:08 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


Escrever como Fernando Pessoa.
Compor como Milton Nascimento.
Pensar como minha mãe.
Ter fé como meu avô.
Viver como minha avó.
Falar como Bethânia.
Uma semana na serra.
Passar no vestibular.
A igualdade social.
A paz mundial.
Um dia de sol e dois de chuva.
Minha outra metade.
Ver todo dia o pôr-do-sol.
Ouvir música em todo lugar.
O cheiro da terra molhada.
Crianças na calçada.
Ouvir os pássaros pela manhã.
O som da conversa amiga.
A história mais antiga.
A distânica inimiga.
A certeza da eternidade.
O inocência da infantilidade.
Correr os campos.
Entrar no mar.
Andar descalço na grama.
chapinhar na lama.
Tomar banho de chuva.
Dormir agarrado em noite de chuva.
Dançar ao som de CArlos Gardel.
Tomar vinho com Edith Piaff.
Esquecer meus problemas.
Pintar tudo de branco e preto.
Olhar álbuns antigos.
Sorrir como criança.
Acreditar na esperança.
Acreditar mais em mim.
Enfrentar meus medos.
Não pensar em traumas.
Não colaborar com as tramas.
Esquecer sem o álcool.
Me inspirar sem cigarro.
Viajar.
Mudar.
Viver.
Voar.
Amar.
Mar.

Nostalgia.

17:40 / Postado por Romário Matos / comentários (0)


Deito lentamente em minha cama. Agora só o som da chuva e do céu, castigando a terra, com seus raios, relâmpagos e trovões. Olho infinitamente o horizonte, cinza, e ele me retorna o olhar com o ar de inalcançável, supremo.
Recordo minha vida. As quedas da bicicleta, os medos, as noites sofridamente superadas, os rabiscos, os primeiros livros, a saudade.
Se pudesse, voltaria. Correria as ruas como qualquer criança, e sem compromisso nem vergonha, gritaria, pegaria a bola, tomaria um banho de chuva sem reparar em quem me olha.
Dançaria em qualquer lugar, chegaria antes de todos para não ser " a mulher do pato".
Brincaria os 'sete pecados' até ir ao paredão.
Ouviria minha avó dizer: ' ô Romário, é hora de subir, vambora!'
Enfrentaria uma manhã inteira de desenhos animados, depois 'faria hora' para não tomar banho. Lamberia a bacía com a massa do bolo, depois, é claro, de tê-la furado com o dedo.
Acordo. Esqueci o som ligado. Escrevo minhas letras, estudo, toco meu violão, leio uns livros.
Não sei se, futuramente, desejaria voltar a esse momento e fazer diferente. Tento aproveitar da melhor maneira possível.