Edward Hopper, Summer Interior

"Eu te amo - disse.
E o mundo despencou-lhe nas costas. Não havia de sofrer tanto.
O mundo pesa sobre o amor. Leveza dá pena no espaço.
E se teu amor por mais pedra não voar: liberta tuas costas do peso que não carregas.
E se teu amor por mais pena não mergulhar: vai te banhar e olha-te no olhar que não te cega.
Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas: degela-o e deixa-o beber os deltas."

Agora tenho a impressão de que os dias passam mais depressa. Não tenho mais preocupação, mas sinto falta de me preocupar. Na minha agenda agora tem outro nome. E o sentimento não é mais o mesmo. Eu sei. Eu sinto. Eu ainda sinto. Não sei o quê, mas persiste. Insiste em não me deixar.
A fumaça do meu cigarro que invade meu pulmão é a mesma que embaraça minha mente. Que deixa tudo turvo em mim. A cicatrização demora. Há sim, dentro em mim algo de nós dois. Que não passa só porque eu quero. Que não passa com o álcool. Não tem reação. A reação não acontece. A variação da entalpia é igual a zero.
O que fazer?? O que fazer quando a vontade ainda fala mais alto que eu mesmo? Não me conheço mais. Procuro em mim a estabilidade que já não existe. Qual a diferença entre amar e aprisonar?Dar a mão e receber algemas... sentir-se preso a algo que talvez você mesmo tenha criado?
Não sei pra onde vou agora, nem se isso tudo vai acabar quando me faltarem as palavras. Eu sinto. Apenas sinto muito. Por nós, por mim e por você. Por você amar a pessoa que eu não sou.

Carta a Vitorino Nemésio
Talvez que o anjo esquecido,
O anjo da poesia,
Se tenha de mim perdido
Sem reparar que o fazia...
Por isso me faltam asas
E me sobejam as penas
De um desejo inalcançado:
Que eu gostava de voar
Até ao anjo perdido
O anjo de mim esquecido,
Que por mim é tão lembrado.
Ai se eu tivesse voado
Aonde queria voar
Não estava agora a rimar
Versos de asas cortadas.
Voava junto de si
Assim fico aonde me vê
Mesmo pregadinha ao chão
Com asas de papelão
E sem entender porquê.
Pois a uns faltam-lhe asas
Mas por ter asas cortadas
Sofrem uns e outros não?
Eu tenho sofrido muito
Nos meus voos ensaiados
Que ao querer sair do chão
Ficam-me os pés agarrados,
...E por falar dos pés
Com versos de pés quebrados
Perdoe lá a quem os fez
Pelo mal dos meus pecados
Só os fiz por timidez
Que tenho em me dirigir
A quem tem por lucidez
Razão para distinguir
O bom e o mau Português.
Assim à minha maneira
Aqui venho responder
Desta forma tão ligeira
Que a sério não pode ser!
Amália Rodrigues

A pena que pesa em meu peito,
Parece poeira do tempo,
Costurando em meus pensamentos,
Passado, futuro e presente.
Quê peso?
Da pena passada?
Quem pensa na pena presente?
Só posso pesar minhas penas,
Com o peso da dor dos ausentes.
Pois somos pesos da mesma medida,
E o peso maior dessa vida,
É perder minhas penas sofridas.
Paula Matos 10/05/2010

A música em mim...
...acalma a alma;
suaviza as dores;
adorna os pensamentos,
aquieta o coração.
A música em nós...
...desenha os sorrisos;
acendo os olhares,
acenta as emoções.
A música para mim...
...é brisa
é chuva
e é trovão.
A música pra mim...
...é tudo oque me faz lembrar você,
melodia encantadora que não posso esquecer.
Paula Matos.

Obrigado pelo seu cheiro em meu lençol
Pelas noites que passo acordado a pensar em você e a lembrar de nós dois, obrigado.
Por preencher todos os espaços vazios de mim;
Por fazer meu coração acelerar,
Por me mostrar que é possível amar, obrigado.
Por acreditar tanto em mim
E me tratar tão bem assim, obrigado.
Por me deixar fazer parte da sua vida
E querer dividí-la comigo, estou grato.
Por sorrir pra mim
Por ser forte e frágil assim
Por não me deixar mais sozinho
Por cruzar o meu caminho
Ser meu amigo e meu amor
Por curar a minha dor
Só queria agradecer.
O que mais posso dizer?
Não vivo sem você, amor.

O que a morte vela?
O fim antes do fim;
A saudade dos que se foram;
O perdão que não aconteceu;
A declaração de amor que não foi ouvida;
O arrependimento do mal causado;
O adeus do sorriso, do olhar, do falar...
O que vela a morte?
A espera;
A dor;
O medo;
A solidão.
O que leva à morte?
A doença;
O cansaço;
O pecado.
O que a morte leva?
A VIDA.
Paula Matos.
Porque há muito não me conheço mais;
Porque vc me arranca sorissos;
Porque quando vc segura minha mão, me sinto bem;
Porque não penso em te esquecer;
Porque quando pego no violão, todas as notas são para vc;
Porque quando calados, escuto o que teu coração fala;
Porque é o que eu mais quero, e o que mais temo;
Porque as despedidas são demoradas;
Porque vc está em meus sonhos quando durmo.

O Poeta Zé da Luz, da cidade do Arco na Paraíba, uma vez ouviu dizer que para falar de amor, era preciso escrever correto, segundo manda a gramática, com formalidade.
Ele então resolveu escrever um poema chamado " Ai se sesse " , que aborda o amor de forma tão sutil e respeitadora como dificilmente se ler nos textos mais clássicos da nossa literatura.
Deleitem-se com Zé da Luz e seu " Ai se sesse ":
A se sesse
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariasse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nos assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulice?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarveiz qui nós dois ficasse
tarveiz qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Socorro, alguém me deu um coração
Quando o meu já nem batia.
Socorro, foi assim, sem esperar
Quando ví, ele já me pertencia.
Agora, às vezes, choro sem querer.
Por vezes até tento esquecer,
Mas, Socorro, eu juro que não queria.
Agora, sem meu coração eu já não vivo.
Nesse louco mundo, tudo agora faz sentido.
Já desisti de entender, não quero mais esquecer.
Agora, Socorro,estou pronto pra viver.
Socorro, agora nada mais eu espero,
Vou usar meu coração: serei feliz
E farei feliz quem, de verdade, eu quero.

Por que eu tenho que sentir isso tudo??? Quando ouço uma música é como se cada acorde entrasse pelo meu peito sem pedir licença e prossegue rumo ao centro do meu corpo.
Quando escrevo sinto o pesar de cada letra e às vezes até me corta.
Dói saber que por tanto tempo evitei as folhas em branco. Não sei o porquê disso tudo. Amar..amo..com que frequência??? Sempre. Devoro todo meu coração quando amo. " Eu amo os abismos as torrentes os desertos. " Eu amo a química e a biologia, eu amo as letras, eu amo os acordes, amo o voar. Sair pela minha janela e ir de encontro aos pássaros lá no alto céu.
Odeio? sim..com menor frequência. Odeio a cegueira humana, odeio a hipocrisia humana, a mentira humana e todas as mazelas. Odeio a fome de quem tem o que comer. Odeio por vezes toda minha capacidade de sentir isso tudo.
Não é novidade que sou um grande fã de Bethânia, mas uma interpretação dessas, para mim, é novidade:
Senti prazer em ser eu. Isso merece ser gritado, ser visto e mais sentido na pele. Minha loucura pode não ser perdoada, mas entendida! Meus poros exalam gozo nesses momentos de lucidez em que me reconheço como realmente sou e vejo que saio ilesa na corrida pelo ouro. É pelo contrário que corro. Eu quero a derrota, a devastação. Se é da aridez das entranhas do chão que avivo a razão e tiro forças pro alvorecer.
Dissimulados, que venham. Desafio todos, pintem no meu rosto bocas, olhos, no meu peito um coração! Quem louvo chama-se desolação, e arrasto como bandeira para rasgar toda asneira que me prega a boca enfeitada de ilusão.
Depois da euforia da certeza que te esqueci, a única coisa que quero em meio a sanidade de um fim de tarde é você...ainda é você. Dando na minha cara, me provando que não deixei só roupas no armário, deixei também minha outra metade.
Foi-se parte da autonomia e risos, sobrou sentir, sentir-me sem ti. Andei. Ví que tudo no mundo tem seu cheiro, sua cor, moreno! A simplicidade de menino na grandeza de um deus de mãos vazias.
Choras, reclamas voltar ao vazio, ora ao controle do coraçõ. Moreno...navio sem rumo, mar de lugares que ainda não sonhei. Corsário enfrentando batalhas internas, roubando almas para seu acervo pessoal.
Meu quarto, 15 de agosto de 2009.
Romário,
Sei que há muito não conversamos, desculpa por isso. Vim dar-lhe notícias suas. E espero que goste de ouvir. Não tenho nenhum propósito fixo, nenhuma finalidade além de reatar nossos laços.
Você que ficou preso ao passado não consegue entender o presente, não anseia pelo futuro. Perdeu muita coisa, não estava comigo nas horas difíceis que passei ultimamente. Superei, mas não estavas comigo, dormias profundamente. Temo não precisar mais da sua presença ao meu lado, meu querido amigo, não tenha raiva de mim, perdoe-me até pela franqueza das palavras.
Ao fim de tudo, quem quis partir foi você, mas ainda há algo muito forte que nos liga, há uma força que nos une e nos mantém intimamente presos um ao outro: A música.
Sei que ela o toca assim como a mim. Então deixemos que ela aja como sempre. Acorda, venha comigo, vem por aqui, o caminho já está feito, é só prosseguir, não vou te deixar só.
Espero você aqui, dentro de você, nesse chão que nunca mais pisou. Então denovo seremos um.
Com saudades,
Romário.
Não me faça pedir duas vezes porque não sei seduzir. Não tenho o que você precisa pra eu ser ouvida como um clichê.
Não me faça beijar duas vezes, não me faça sentir novamente porque seria cruel saber que depois de ter bem vivido, nada perdí. Não vou segura o gozo para não te dar o gosto de ver meu corpo se retorcer, se é só isso que quero ter de você.
Venham todas as mãos e loucuras que você tiver para me dar e se não tiver nenhuma, serei afluente de gozos tresloucados no seu leito inflamado de calor.




